“DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO E A DIETÉTICA CHINESA”
/ Para a revista Vida & Saúde Natural nº12 / de Junho de 2016 /

ESTRATÉGIA MILENAR DE COMBATE E PREVENÇÃO

Considerada uma das doenças mais predominantes no Mundo, a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) compromete cerca de 23,7% da população europeia, assegurando o segundo lugar na prevalência de base populacional. Esta patologia é caracterizada pela deslocação do conteúdo líquido de um conduto orgânico no sentido contrário ao normal, originando inflamação do tracto gastroesofágico devido ao refluxo do conteúdo gástrico para o esófago. Os sintomas principais incluem azia com ou sem regurgitação do conteúdo gástrico para a boca, e as complicações clínicas variam desde o sabor amargo na boca, dor torácica, náuseas, mau hálito, erosão e dor de dentes, aftas, patologias da orofaringe, hemorragia esofágica e dificuldade de deglutição (disfagia) de alimentos sólidos.

De acordo com os principios básicos da Medicina Chinesa, o Estômago e o Baço-Pâncreas pertencem ao movimento Terra, têm uma sintonia singular e contribuem nos processos de digestão, assimilação, transporte e excreção dos alimentos (sólidos e líquidos).  Todos os órgãos são influenciados pela subida, descida, entrada ou saída da energia. Por isso durante estes processos, o Estômago é responsável pela descida da energia impura proveniente dos alimentos e o Baço pela subida da pura, de forma a proceder às suas funções específicas de transporte e transformação.

O Estômago é descrito como o receptor e extractor da essência dos alimentos, que é posteriormente enviada para o Baço, por forma a ser transformada em energia (qi) e sangue (xué). Através do Baço a essência é ainda transportada para o Pulmão onde a parte mais pura vai entrar nos vasos e formar a energia alimentar (rong qi) que irá circular por todos os meridianos do organismo durante as 24h que preenchem o dia. A rong qi tem origem nas essências subtis da água e dos cereais, circula nos vasos em conjunto com o xué e tem acção na nutrição do organismo. A parte impura é posteriormente enviada aos intestinos para assimilação através do qi do Baço – esta assimilação depende da força do qi do Baço, que traduz a quantidade e qualidade das enzimas pancreáticas que são segregadas para o Intestino Delgado.

O fluxo de qi de todo o corpo é comandado pela energia do Fígado (pertencente ao movimento Madeira) e em desarmonia degrada o movimento Terra. Como tal, a principal causa desta patologia é a agressão do Fígado para com o movimento Terra que pode surgir devido a emoções fortes, como a frustração e a cólera, mas também devido a uma alimentação desadequada. Estes factores degradam o livre fluxo de qi do Fígado, estagnam, obstruem e geram energia contracorrente. Por norma, esta energia contracorrente invade o movimento Terra que irá gerar desarmonias nos dois órgãos associados. O qi em contracorrente provindo do Fígado invade e torna o qi do Baço deficiente, não permite que ele e o Estômago cumpram as funções de “separar o puro do impuro”, e o Estômago liberta a sua energia em sentido oposto, refluindo ascendentemente e desencadeando azia e regurgitação ácida.

Em casos severos, o qi deficiente do Baço não tem capacidade de transformar e transportar a humidade e por isso gera acumulação de mucosidades – revelando dor e sensação de acúmulo e distensão. Este quadro agrava para uma condição de calor que é propensa quando o paciente ingere alimentos e substâncias que produzem calor interno (como o café, álcool e tabaco). Quando tal sucede, o qi do Baço, que se encontra enfraquecido, não consegue conter o xué e desencadeia hemorragia.

A acupuntura, a dietética e a fitoterapia detêm efeitos favoráveis neste desiquilibrio energético pelo que, após o diagnóstico, é possível identificar qual o síndroma preponderante e prescrever a terapêutica indicada. Assim, o príncipio de tratamento visa eliminar a estase e corrigir o fluxo de qi do Fígado; tonificar o qi do Baço; redireccionar a energia do Estômago e,   num quadro de tipologia calor deverá drenar-se essa acumulação.

Com base em dois estudos clínicos e experimentais de gastroenterologia foi verificado que todos os pacientes aceitaram bem o tratamento e sentiram alívio de sintomas após a acupuntura e a dietética. Os resultados validam melhorias específicas sobre o estado funcional do esôfago, regulação neuro-humoral do esfíncter esofágico inferior e consecutiva diminuição de acidez gastroesofágica.

RECOMENDAÇÕES DIETÉTICAS

A Dietética Chinesa defende que nos devemos alimentar com os produtos que contenham a energia necessária ao nosso organismo, pois os alimentos possuem acções terapêuticas de acordo com o seu sabor, cor, temperatura, tropismo para cada órgão/meridiano, consistência e modo de preparo. Por isso, ao adequar a escolha e ordem de introdução dos mesmos, são determinadas reacções energéticas e fisiológicas cujo efeito pode ser tonificante, dispersante ou harmonizante.

Uma vez que um dos factores principais na DRGE é a agressão do Fígado para com o Estômago/Baço, deve-se diminuir as porções de comida e evitar o consumo de alimentos de temperatura quente, ricos em gorduras saturadas (banha de porco, carne vermelha, natas, queijo, etc) e gorduras hidrogenadas (margarina, óleos refinados). Uma vez que existe também deficiência de qi do Baço e qi contracorrente do Estômago, deve-se optar por alimentos de temperatura morna ou ambiente pois os frios e frescos vão enfraquecer o sistema digestivo.

_ Coma frequentemente pequenas porções, não misture demasiados alimentos e prefira as frutas e legumes da época assim como de agricultura biológica.

_ Quanto ao processo de preparo, invista na preparação com um fio de água e tempere com azeite por forma a manter as suas propriedades. Todavia se fizer questão de cozinhar com uma gordura, opte pelo óleo de côco pois resiste a altas temperaturas.

_ Prefira água natural ou morna às bebidas frescas uma vez que o excesso de frio traduz-se em calor e estagna o qi – Ex: o gelo, quando em contacto com a pele durante muito tempo, queima.

_ Evite deitar-se após as refeições e aguarde preferencialmente três horas.

Evite alimentos de dificil digestão; laticinios; refrigerantes; sumo de laranja; álcool; café; chá preto; especiarias quentes (pimenta caiena, malageta); alimentos refinados como o açúcar e a farinha branca. Modere as saladas e frutas crúas.

Prefira grãos germinados; feijão mungo; feijão preto; aipo; agrião; repolho; nabo; couve-flor; brócolo; couve de Bruxelas; espargo; manjericão; louro; aneto; camomila; manjerona; erva-cidreira; funcho; gengibre fresco (opte pela raíz e não pelo pó); vinagre de sidra não-refinado; limão; bons substitutos de açúcar (stevia; geleia de agave; geleia de arroz); mel; cereja; maçã (não opte pela ácida e se puder, coza ou prepare um puré); pinhão; tâmara; quinoa; amaranto; arroz integral ou semi-integral (cozer em lume brando); batata-doce; cogumelo; cenoura; abóbora; malte de cevada; manteiga ghee; micro-algas (Spirulina, Chlorella). A carne branca e o peixe devem ser comidos em pequenas quantidades e cortados em pedaços. Opte por sopas com poucos ingredientes, sem gordura e com pouca proteína animal.

ATENÇÃO: As recomendações acima referidas não dispensam um diagnóstico prévio.

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Pode também ler o artigo completo na rubrica edição #12 da revista Vida & Saúde Natural, onde para mais informações sugerimos que acompanhe o site e facebook da revista em www.revistazen.pt/categoria/guias/ e www.facebook.com/ZEN-Energy.

 

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